Barbárie de Queimadas: veja detalhes da prisão de mentor

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O mentor da “Bárbarie de Queimadas”, Eduardo dos Santos Pereira, foi preso nesta terça-feira (19), em Rio das Ostras, no Rio de Janeiro. A Polícia Civil realizou uma entrevista coletiva em João Pessoa para dar detalhes de como aconteceu a prisão de Eduardo, que estava fugitivo desde novembro de 2020.

Durante a entrevista coletiva realizada no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Secretaria de Estado de Segurança e Defesa Social, o delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba André Rabelo revelou a rota de fuga de Eduardo antes de ir para Rio das Ostras.

O delegado informou que, de acordo com as investigações, o mentor da ‘Barbárie de Queimadas’, como ficou conhecido o estupro coletivo seguido de duplo homicídio, que aconteceu em 20212, estava em Rio das Ostras há cerca de seis meses.

Macaé e Rocinha

Barbárie de Queimadas
O mentor do estupro coletivo, condenado a 108 anos de prisão, fugiu de um presídio estadual de segurança máxima pela porta lateral. | Foto: Divulgação/Polícia Civil

Antes de ir para Rio das Ostras, Eduardo dos Santos teria passado pelo menos um ano em Macaé, também no Rio de Janeiro.

Quando fugiu da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, em 2020, Eduardo foi para a Rocinha, na capital do Rio de Janeiro, onde, segundo a Polícia Civil, possui familiares e já havia morado anteriormente.

Quem estava ajudando

Uma das teses da Polícia Civil é que Eduardo dos Santos Pereira teve auxílio de criminosos para se manter escondido. No entanto, o delegado André Rabelo informou que ainda está sendo investigado. O que a Polícia Civil confirma é que nos últimos meses, o fugitivo estava tendo ajuda financeira de familiares.

“O que nós temos é: há um intervalo…de um intervalo para cá, familiares, os mais próximos, é quem faziam essa manutenção”.

A Polícia Civil também informou que o mentor da ‘Barbárie de Queimadas’ levava uma vida bastante simples e reclusa em Rio das Ostras. Ele estava morando em uma kitnet e utilizava uma bicicleta como meio de transporte.

A Barbárie de Queimadas

Priscila, Michelle e Izabella, vítimas das Barbárie de Queimadas — Foto: Reprodução/TV Globo
Priscila, Michelle e Izabella, vítimas das Barbárie de Queimadas — Foto: Reprodução/TV Globo

A Barbárie de Queimadas foi como ficou conhecido o estupro coletivo de cinco mulheres, seguido do assassinato de duas delas, a professora Izabella Pajuçara e a recepcionista Michele Domingos. O caso aconteceu em 12 de fevereiro de 2012.

Além do mentor, Eduardo dos Santos Pereira, outros nove homens participaram do estupro coletivo que foi feito como “um presente de aniversário”.

Em maio de 2023, o caso foi destaque no programa Linha Direta, da TV Globo. Na ocasião, Priscila Frazão Monteiro, sobrevivente e irmã de Izabella Pajuçara, falou pela primeira vez sobre o que aconteceu.

Priscila Frazão Monteiro, vítima e irmã de Izabella, falou sobre Barbárie de Queimadas
Priscila Frazão Monteiro, vítima e irmã de Izabella, falou pela primeira vez sobre o caso — Foto: Reprodução/TV Globo

Na casa estavam sete mulheres, nove homens e três adolescentes. Eduardo e Luciano organizaram a festa, convidaram as vítimas para o evento e se dirigiram a um mercado para comprar cordas e lacres do tipo ‘enforca-gato’, com o objetivo de amarrar as vítimas e forçar relações sexuais.

“Uns usavam máscara preta, luvas pretas e outro [estava] usando máscara de carnaval. A gente correu, todo mundo, para trás. Eu, minha irmã e Michelle. E eles foram atrás da gente. Mandaram a gente sentar todos no chão, e começaram a encapuzar e a colocar o ‘enforca-gato’ nas mãos”, detalha.

Enquanto era estuprada, Michele  e Izabella teriam conseguido identificar Eduardo como um dos estupradores. Por isso, para que elas não revelassem,  foram assassinadas. Michele foi morta na frente da Igreja Matriz de Queimas. Izabella, oi encontrada com uma meia dentro da boca na estrada que liga Queimadas a Fagundes.

Barbárie de Queimadas
Local onde Izabella Pajuçara foi encontrada morta.
Foto: Carol Diógenes

Priscila ouviu a conversa, mas fingiu que não sabia de nada.  Foi o depoimento de Priscila, após o ocorrido, que ajudou a Polícia Civil a desvendar o crime na época. 

“Eu ouvi quando minha irmã disse assim: ‘Eduardo, não, pare que mainha não vai gostar disso’. Eu ouvi e foi bem agoniante para mim. Eu não tinha forças nem para ajudar minha irmã, nem ajudar Michelle. Eu também estava ali”, desabafou.

Segundo as investigações da Polícia Civil, pouco tempo depois do episódio do Linha Direta sobre a “Barbárie de Queimadas” ser exibido, Eduardo, que estava em Macaé, foi para Rio das Ostras.

Jornal da Paraíba

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